quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Rinite e Otite.

Saiba mais sobre esses problemas que podem amolar a vida do seu pet




Na semana passada publicamos a entrevista sobre alguns tipos de alergias que podem ocorrer na pele dos nossos bichos de estimação (http://caopetente.blogspot.com.br/2013/11/de-olho-na-pele-dos-seus-animais-saude.html). Hoje, na segunda parte dessa conversa que tivemos com a médica veterinária Myrna Peres Wanderley, especialista em dermatologia, vamos conhecer um pouquinho mais sobre rinites e otites.

Não é demais ressaltar que nunca devemos medicar nossos animais sem antes consultarmos um veterinário. Temos culturalmente o péssimo hábito da automedicação. Mas um medicamento errado pode levar à morte. Cuidado também com receitas caseiras veiculadas indiscriminadamente pela internet. Há coisas para as quais não encontramos precedentes... Algumas ocorrências de saúde são similares em seres humanos e animais. A automedicação pode se tornar um grave problema para todos.

Devemos garantir o bem-estar dos nossos amigos, mas precisamos ter muita responsabilidade para não agravar um problema, ao invés de resolvê-lo.

Olha um paciente bem diferente. É o Caca. Lindinho, não?
 Rinite

Cãopetente - Quais as principais causas das rinites em cães e gatos.

Myrna Peres - Pode ser causada por bactérias, fungos ácaros e/ou vírus, doença autoimunes, doenças periodontais, neoplasias (câncer), pólipos, pode também ser causada por hipersensibilidade alimentar entre outras causas.

Cãopetente – Quais são os sintomas?

Myrna Peres - Os sinais clínicos mais comuns são secreção nasal, espirros e tosse. Pode haver também aumento na produção de muco, coceira nos olhos e narina, além de lacrimejamento e falta de apetite. Algumas vezes o paciente apresenta odor fétido na boca (halitose). 

Cãopetente – Quais as formas de prevenção?

Sempre busque ajuda de um veterinário. Nada
de automedicação, não é Dra. Myrna?
Myrna Peres – Diminuir a poeira - carga parasitária ambiental. A restrição do espaço dentro de casa também pode ser uma forma de prevenir. Por exemplo, o quarto e o escritório são locais onde existem muitos alérgenos, isso é, as substâncias que provocam reações alérgicas . Seria uma forma de melhorar os sinais.

Cãopetente – Quais são os exames necessários para identificar a rinite em cães e gatos e a forma de tratamento?

Myrna Peres - No caso da renite alérgica faço restrição e desafio1. Podem ser solicitados exames sorológicos para fungos e ácaros, Raio X, ressonância magnética, cultura da cavidade oral; algumas vezes a citologia e biopsia são necessárias. O tratamento baseia-se em retirar a causa quando a encontramos, antibióticos, antiinflamatórios, antifúngicos e umidificação do ambiente.

1. A restrição consiste em suprimir o uso ou contato do suposto alérgeno causador da processo alérgico. O contrário é feito para o desafio, isso é, oferecer em pequenas doses sob supervisão médica a substância suspeita de causar determinada alergia.

Cãopetente - Assim como nos humanos, o clima pode influenciar ou ser o causador da rinite? Há muitos casos em seu consultório?

Myrna Peres – O clima interfere sim. No entanto, rinite é pouco diagnosticada, pois os exames necessários são muitas vezes onerosos ao proprietário. Atendo muitos casos associados com outras alergias. Quase todos os alérgicos manifestam coriza e espirros.

Otite



Cãopetente – É correto afirmar que a otite pode ocorrer em consequência de uma alergia?

Myrna Peres - Sim. Alergias alimentares, ambientais aeroalérgenos, por picada de insetos e contato. Todas as alergias podem culminar com otite secundária, geralmente complicada por fungos ou bactérias.

Cãopetente – A otite então também pode ser causada por germes e/ou fungos parasitas e bactérias?

Myrna Peres - Exatamente. podendo também serem causadas por pólipos internos, seborreia (distúrbios de ceratinização), anatomia de algumas raças como o Cocker que possui o conduto auditivo muito longo e estreito, além da orelha caidinha, que torna o meio ainda mais propício para o aparecimento de infecções secundárias, por ser escurinho, quentinho, abafadinho e com cerume. 

Cãopetente – Anormalidades hormonais também podem desencadear a infecção nas orelhas?

Myrna Peres - Alguns distúrbios hormonais em geral, seborreia, aumentam a probabilidade de ocorrer a otite, geralmente externa. É bom lembrar que a orelha é uma extensão da pele, logo tudo que ocorre na pele ocorrerá dentro da orelha.

Adendo: Dra. Myrna explicou que o termo correto para utilizarmos é orelha, e não ouvido, como falamos em referência ao nosso órgão de audição. São orelhas externa, média e interna.

Cãopetente – Li um texto que afirma que “cães com  orelhas longas e caídas para baixo têm maior propensão a ter otite.” Se isso é verdade, qual o motivo?

Myrna Peres – Em algumas raças a orelha caída influencia não só pela anatomia, mas por doenças pré-existentes, como o canal estreito e longo, além da seborreia. Isso não é verdade. O correto é que cães que tem a orelha no meio termo, são mais propensos a apresentar otite (nem empinada, nem caída).

Cãopetente – Quais são os principais sintomas da otite?

Myrna Peres - Dor, prurido, vermelhidão, secreções, inchaço. Algumas vezes, as otites  internas - as mais profundas -, causam inflamação no labirinto e geram uma posição inclinada para o lado acometido, ou seja, o cão fica com a cabeça torta. Também pode gerar desorientação, o cão caminha em círculos, balança mais a cabeça, otohematoma2, inapetência, perda de peso, entre outros sinais. 

2. O otohematoma em cães consiste em um acúmulo de sangue entre a cartilagem da orelha e a pele, em decorrência de um trauma local, que resulta em ruptura de um vaso sanguíneo. Ocorre com maior frequência em cães que possuem orelhas compridas e pendulosas. (http://www.infoescola.com/medicina-veterinaria/otohematoma-em-caes/)

Cãopetente – Como prevenir e qual o tratamento?

Myrna Peres - A prevenção depende da causa, bem como o tratamento. Geralmente medicações tópicas, algumas vezes até medicações orais. Antibióticos, antiinflamatórios, ceruminolíticos.

Cãopetente – Para dar banho nos animais é indicado que coloquemos algodão para evitar a entrada de água? Essa seria uma causa da otite?

Myrna Peres - Em alguns casos sim. A verdade é que muitas vezes somente a água não é a causadora, e sim a água com produtos químicos (xampus, condicionadores). Secadores quentes e sopradores fortes podem ser mais prejudiciais que a água.  O correto é sempre utilizar ceruminolíticos que facilitam a saída da água, após o banho. Utilizar tampões para evitar que o animal seja submetido ao barulho dos secadores e sopradores também ajuda.

Adendo – Consulte o veterinário para indicação de um ceruminolítico, ou removedor de cerúmen.

Cãopetente – Há cães que adoram água, inclusive gostam de nadar. Há maior propensão de um desencadeamento de otites para esses animais?

Myrna Peres -  Sim. É válido utilizar sempre após os mergulhos, ceruminolíticos apropriados.

Cãopetente - Como deve ser feita a limpeza das orelhas de cães e gatos?

Myrna Peres - Somente a parte externa deve ser limpa. Jamais arranque pelos das orelhsa e introduza cotonetes e  pinças. Nada deve ser introduzido no pavilhão auricular. Em alguns casos somente cortar os pelos com tesouras apropriadas. Jamais permita a depilação dos pelos com pinças, dedos ou produtos químicos. Somente apare os pelos periodicamente e utilize um ceruminolítico (quando indicado pelo veterinário). Converse com responsável pelo banho do seu bichinho com relação àorientação que o seu veterinário prescreveu. 

Cãopetente - A otite em cães e gatos é uma doença considerada comum? Você tem muitos casos em seu consultório?


Myrna Peres - Quase todos apresentam algum tipo de alteração nas orelhas. Algumas vezes passam despercebidas pelos proprietários e pet shops. É importante sempre perguntar sobre a saúde auricular ao veterinário.


Para quem mora em Vila Velha, se precisar de uma especialista em dermatologia, segue abaixo o contato da Casa de Bicho, clínica onde atendem a Dra. Myrna, acompanhada de uma bióloga e outra veterinária, a Mônica de Alvarenga Feijó Bianchi. Esta possui especialização em cirurgia, mestrado em animais selvagens e cursa doutorado em Ecologia.

Clínica Veterinária Casa de Bicho. Rua Humberto Serrano, 398 - Praia da Costa. Vila velha/ES. Telefones: 3289-8186 e 9296-0056.


E qual a próxima?

Temos mais assuntos sobre saúde animal para publicar para vocês. Nas próximas entrevistas vocês saberão um pouco mais sobre fisioterapia e reabilitação animal e também sobre planos de saúde para os pets. 

Atenção sempre a condições físicas e comportamentos diferentes nos seus cães e gatos. O veterinário é sempre a melhor e mais acertada solução.

Até mais ver!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Quem quer adotar a NANY?



Interrompemos nossa programação de entrevistas para ajudar a minha amiga Nany com o seu apelo de Natal: 


POR FAVOR, ME ADOTE!


Nany é minha amiguinha de Vila Velha, no Espírito Santo. A terra de coração da minha ‘dona de estimação’. Ela mora no Centro de Controle de Zoonoses da cidade e me contou que gostaria muito de ter uma família. Resolvi publicar sua história e seus desejos para que, quem sabe, ela possa passar o natal com uma família bem legal e que a ame assim como eu sou amado e respeitado.

- Minha amiga Nany, eu coloquei na árvore de natal, que é uma árvore dos desejos, o seguinte pedido: “Papai Noel, quero pedir que a Nany seja adotada e que 2014 seja um ano com muitos brinquedos, caminha nova e uma família pra ela. Zeus.”

Leiam o nosso Pet a Pet e realizem o desejo da minha amiga Nany.



Pet a Pet

Zeus – Qual a sua idade, Nany?

Nany – Tenho pouco mais de cinco anos. 

Zeus – Reparei que você tem um jeitinho todo especial de caminhar. Pode me contar o por quê?

Nany – Zeus, só você mesmo hem! Tá bom, eu conto. O que me disseram é que tenho uma atrofia e, por isso, não tenho a postura igual a de outros cães. Mas me locomovo com facilidade.


Zeus – Desde quando você está no CCZ de Vila Velha, Nany?

Nany -  Cheguei aqui em março de 2010. Se ninguém quiser me adotar, completarei quatro anos em 2014.

Zeus – Você gostaria de ter um lar?

Nany – Zeus, peço isso todo ano para Papai Noel. Vejo muitos amigos meus chegando aqui e indo embora. Acho que ninguém gosta do meu jeitinho. Mas ainda tenho esperança de alguém se apaixonar por mim.

Zeus – Como você foi parar aí no CCZ?

Nany – Ah Zeus, eu tive foi muita sorte. Foi uma tia do CCZ que me encontrou na rua e eu estava amamentando meus cinco filhotes. Inclusive não sou castrada e já tinha, naquela época, atrofia nas minhas patinhas traseiras. Mas, graças a ela, eu tenho onde comer e dormir. Tenho meus amigos por aqui e, como já disse, fico feliz que muitos encontrem uma família. Só que eu queria uma também... cain, cain.

Zeus – Não chore, Nany. Você vai encontrar seu lugar. Vai ver. Pena que moramos tão longe um do outro. Senão eu convenceria minha dona a adotar você pra gente... Mas vamos tentar ajudar você, tá bom?

Nany -  Tá bom, Zeus. Desculpe me emocionar. Au au.

Zeus – Nany, do que você mais gosta e do que não gosta?

Nany – Ah Zeus, adoro brincar. Às vezes me assusto com outros cães e, já tentei gostar mais dos gatinhos, mas meu instinto fala mais alto. “Meu santo não bate” com o dos gatos. Preciso confessar que sou muito carinhosa e adoro dormir sobre um edredon. Hummmmm. Aí até sonho.

Zeus – Sonha? Eu também sonho muito. Minha dona conta que até mexo as patas. Au au au. Mas com o que você geralmente sonha?

Nany – Quase sempre com as mesmas coisas. Noite passada mesmo, estava um pouco frio, eu estava encolhida e antes de dormir fiquei pensando em como seria legal ter uma caminha dessas que vejo pela televisão, cheias de desenhos, coloridas. Aí eu dormi e sonhei que ao invés de chuva, fazia um dia lindo de sol. Eu morava numa casa com um quintal onde tinha grama e vários brinquedinhos espalhados. Vi vasilhinhas de água e comida e eu corria de um lado para o outro atrás de uma bola. Depois chegava uma moça, acho que era minha dona no sonho, me pegava e me abraçava... Era um sonho tão legal! Mas acordei. Bem, mas o negócio é não desanimar. Está chegando o Natal e quem sabe tem uma surpresa reservada para mim, não é mesmo?



Zeus – É sim, Nany. Isso mesmo. Não pode desanimar. São tantos animais de estimação precisando de ajuda como você... Mas agora a notícia que mais quero ouvir é que você realizou o seu sonho. Estou na torcida. Por falar em animais abandonados, você sabe me dizer quantos amigos lhe fazem companhia aí no CCZ?

Nany – Olhe Zeus, cães são quase trinta. Contando com os filhotinhos lindos. Agora gatinhos eu sei de cor: são 14 entre adultos e filhotes.

Zeus – Controle seus instintos, viu Nany? Deixe os gatinhos quietos. Eles querem um lar tanto quanto você...

Nany – Pensa que não sei? Por isso me contenho. Apesar dos meus instintos, sei que aqui somos uma grande família e que temos os mesmos desejos. Se eu pudesse ter um lar e ainda conseguisse a mesma coisa para cada um deles...

Zeus – E conta pra mim, você tem preferência com algum tio ou tia daí do CCZ?

Nany – Gosto de todos, mas tenho uma certa afinidade com a tia Letícia. Mas não quero que os outros fiquem tristes. Todos são muito legais. E eu não posso deixar de falar da tia Yara Guimarães. Ela é a fotógrafa que fez essas imagens que eu te mandei. Ela visita os CCZ´s e faz essas lindas produções para nos ajudar a encontrar um lar. Modéstia à parte, fiquei linda, não fiquei? Ela me produziu toda. Colocou as fotos na página dela no Facebook, Amizade é um Luxo. Fiquei cheia de esperança de alguém me olhar, se apaixonar pelo meu "visu" e querer me adotar. Mas nem com todo o empenho dela não fui escolhida. Mas ainda serei. Vou levar uma verdadeira e feliz 'vida de cão'. Você vai ver.

Zeus – Claro que vai Nany! Vai levar uma vida de rainha. E por falar em boa vida, imagino que você precise exercitar suas perninhas não é mesmo? Então talvez uma casa seja melhor do que um apartamento pra você morar.

Nany – Isso mesmo, Zeus. Se eu pudesse ter uma casa com quintal e sem gatos... au au au. Pois tendo espaço adequado posso exercitar minhas patinhas e, quem sabe meu problema até melhore um pouquinho. Também não gosto de ficar sozinha, pois aqui no CCZ tem sempre alguém comigo. Então seria legal um lar onde sempre tivesse alguém para brincar e conversar. Crianças também que gostem de cães, mas que brinque comigo sem me apertar demais, seria tudo de bom! Sabe como é, não é Zeus? Me sinto super jovem, mas não sou nenhuma criança. Mas como adoro brincar, seria uma companhia divertida.

Zeus – Faça seu pedido de Natal, Nany.

Nany – É muito simples. Quero um lar. Alguém que me ame e que eu possa retribuir com todo amor incondicional e toda a fidelidade que tenho reservados para quem me escolher. Quero que alguém me olhe sem preconceito. Sei que não sou de raça. Mas aprendi que tenho o mesmo valor que qualquer outro cãozinho. Quero ser respeitada e devidamente cuidada como todos os animais devem ser. E não desejo isso só para mim. Tenho esse sonho para todos os animais que sofrem com abandono e maus-tratos. Pois eu sei o que é isso... Quero mais ainda. Desejo um mundo com mais ‘humanos’ de verdade. Que não tratem animais como objetos, usando e descartando e se esquecendo que todos nós sofremos e temos as mesmas necessidades que uma pessoa tem. Sentimos fome, sede, frio, medo e tem gente que não se importa com isso. Humanos sofrem preconceitos por vários motivos e isso é inadmissível. Nós também sofremos e também não há justificativa para tanto desprezo com seres vivos. Isso mesmo. Somos todos seres vivos. De raças e espécies diferentes. Mas com necessidades muito parecidas. Quero isso, Zeus. É pedir demais?

Zeus – Claro que não, Nany. Você tem razão. E nós estaremos na torcida. Conte conosco!

Para adotar um animal no CCZ de Vila Velha é necessário ser maior de 18 anos, e para efetivar a adoção o interessado deve ter em mãos documento de Identidade, CPF e comprovante de residência. No ato da adoção o novo tutor deverá assinar um termo de responsabilidade.

Contatos: 
Telefones: 3226-9499 / 3226-9477 / 99817-2859.

Até mais ver.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

De olho na pele dos seus animais




A saúde do nosso animal pode estar mais ou menos garantida dependendo da nossa atenção aos detalhes. Precisamos conhecer bem o comportamento dos nossos pets e observarmos com frequência sua pelagem, pele, dentes, patas, enfim, tudo relacionado ao nosso bicho. Isso porque ao menor sinal de algo diferente, temos que levar nosso amigo ao veterinário para evitar que problemas simples de saúde tornem-se crônicos ou até mesmo incuráveis.

Para isso, é necessário interação e muito carinho. Animais de quintal, que só são vistos pelos donos quando estes se lembram de colocar água e alimento, certamente irão sofrer com doenças que não serão percebidas até se tornarem algo que incomode visualmente ou que possua um odor desagradável, ou ainda que se transforme em algo tão grave, que seja impossível não perceber.

Se para os cuidadosos e responsáveis donos de animais de estimação alguns sintomas podem inicialmente passarem despercebidos, imaginem para aqueles que esquecem que existe um cão esperando para ser socializado lá no fundo do quintal?

Fizemos uma entrevista abordando alguns tipos de alergias que podem acometer cães e gatos. A veterinária Myrna Peres Wanderley, especialista em dermatologia, irá esclarecer algumas dúvidas comuns sobre doenças na pele dos animais. Mas nós abusamos da sua boa vontade e falamos também de rinite e otite, alergias comuns que podem atormentar nossos bichinhos. Só que estes dois assuntos vão ficar para a próxima publicação. A entrevista será dividida e hoje serão abordados somente os problemas que podem surgir na pele dos nossos animais. Vamos lá?

Myrna Peres Wanderley, 35 anos, é formada pela Universidade Vila Velha e especializou-se em Dermatologia pela Qualittas. Ela nos conta que “a paixão pelos animais e a vontade de cuidar foram os maiores motivos” para escolher a profissão. Vilão e Pancho Villa são dois cães que foram adotados por Myrna e que moram com ela e sua família. 

Nossa entrevistada devidamente apresentada, vamos então saber quais são as doenças que mais fazem com que os proprietários levem seus cães ao consultório da Dra. Myrna.

O Vilão é sortudo. Tem uma dona veterinária... 

Cãopetente -  Independentemente da sua especialização, você e sua equipe atendem a diversos casos em seu consultório. Mas qual a demanda relacionada a problemas dermatológicos?

Myrna Peres - Os atendimentos dermatológicos representam aproximadamente 60% da demanda. E ainda posso dizer que mais de 70% destes, são causados por hipersensibilidades.

Cãopetente - Alergias em cães e gatos podem ter origem genética? De que maneira podem se manifestar?

Myrna Peres - Sim. As alergias podem ter origem genética, mas também podem ser adquiridas com o passar do tempo. A exposição a agentes químicos, alimentação inadequada, aeroalérginos (inalantes como poléns, pó de minério etc), trofoalérginos (alimentar), todos esses fatores naqueles que possuem o sistema imunológico sensível, podem manifestar sinais clínicos da doença.

Cãopetente – Cite as dermatites alérgicas mais comuns em cães e gatos.

Myrna Peres  - De longe a dermatite alérgica que mais acomete cães e gatos, é causada pela hipersensibilidade à saliva de artrópode1 (prurigo estrófulo2 em seres humanos).
  1. Ácaros, pulgas, piolhos e carrapatos são exemplos de artrópodes.
  2. Prurigo estrófulo “é um quadro comum na infância que surge em decorrência de uma reação de hipersensibilidade à picada de insetos, como mosquitos e pulgas.” Mais detalhes, acesse: http://www.dermatologia.net/novo/base/doencas/prurigo_estrofulo.shtml
Cãopetente – Os animais podem desenvolver alergias a medicamentos como os humanos?

Myrna Peres - Sim. Todo mecanismo conhecido nas alergias medicamentosas em seres humanos se empregam para cães. Causam desde angiedema (inchaço da face), pápulas (tipo de lesão sólida da pele), manchas, eritema (vermelhidão), prurido (coceira), placas, entre outros sinais. Atendo muito as farmacodermias3, pois estas são comumente caracterizadas por feridas na pele e muito prurido.
  1. “Farmacodermia é o termo usado ao conjunto de reações causadas por determinadas drogas, ou seja, é qualquer resposta nociva e inesperada a um medicamento, que pode ocorrer em doses usadas para profilaxia (prevenção), diagnóstico ou tratamento.” http://www.clinipet.com/informativos/2-dermatologia-veterinaria/39-farmacodermia.html
Cãopetente – Alimentos também podem ser causadores de alergias?

Dra. Myrna, haja mãos para tantos 'buldoguezinhos'!
Myrna Peres - Hoje algumas indústrias de alimentos pecam um pouco na escolha das proteínas utilizadas na fabricação das rações. As rações comerciais utilizam soja na composição, bem como proteína animal (bovina e de frango) de alto peso molecular e baixo valor biológico; o que num sistema imunológico ativo, que é o caso dos alérgicos, estimula uma resposta exagerada. Além das proteínas, a presença de aditivos, corantes entre outros componentes podem causar o mal.

Cãopetente – Já disse que salivas dos artrópodes, como pulgas e carrapatos, são grandes causadores de alergia. Como identificar o problema?

Myrna Peres - Geralmente uma verificação rápida em casa e no animal, até mesmo com auxílio do pet shop na hora do banho, tendo o cuidado de sempre olhar toda pelagem do animal em busca desses indesejados artrópodes. Mantê-lo protegido com produtos de utilização tópica mensalmente é uma prática bastante eficaz para diminuir a incidência desses parasitas.

Cãopetente – Há raças mais predispostas a ter algum tipo de alergia?

Myrna Peres - Algumas pesquisas sugerem que o Cocker e o Springer Spaniels, os RetrieversLabrador, Collies, Miniatura Schnauzers, Shar Pei chineses, West Higland WhiteTerriers, WheatonTerriers, Boxer,Dachshunds, Dálmatas, Lhasa Apso, Pastores Alemães, e Golden Retrivers estão sob risco aumentado na alergia alimentar. Todas as alergias possuem listas de predisposição racial.

Cãopetente - Há alergias sazonais? Ou que são mais recorrentes em determinadas épocas do ano?

Myrna Peres - Sim. Atendo a todo tipo de manifestação alérgica ao longo do  ano, porém, sinto que a primavera é uma época singular. Os cães que são sensíveis a aeroalérgenos sofrem muito com a chegada da florescência. O pólen das gramíneas costuma ser o grande vilão. 

Cãopetente – Há alergias que são mais propensas em animais da zona rural ou naqueles que vivem em regiões litorâneas?

Myrna Peres - Sinceramente precisaríamos de uma pesquisa, para referir essa estatística. Mas pensando na umidade pode-se dizer que a região litorânea é mais propensa a foliculites bacterianas4.
  1. Foliculite bacteriana “É uma infecção bacteriana da pele, que tem origem no folículo piloso, ou seja, no anexo epidérmico que dá origem ao pêlo. É a dermatopatia mais comum na dermatologia canina (...)”. Mais detalhes: http://dermatopet.com.br/foliculite-bacteriana/
Cãopetente – Alergias na pele dos animais podem ser confundidas com sarnas?

Myrna Peres - Sim. Alguns animais apresentam infecções secundárias, como malassezia (dermatite causada por fungo) e esta promove um aspecto parecido com algumas sarnas. Pele grossa e escurecida, odor fétido, seborreia e geralmente as duas situações causam muito prurido.

Cãopetente – Que tipo de exames são necessários para identificar esses problemas dermatológicos?

Myrna Peres - A sorologia hoje é o mais utilizado, além do exame transcutâneo. Procuramos identificar a proteína chamada IgE, presente em pequenas quantidades na circulação sanguínea. Porém naqueles acometidos pelas alergias serão detectadas quantidades superiores ao normal na amostra de sangue. Então cada proteína identificada deverá ser evitada ou excluída da rotina do animal.

Cãopetente – Quais são os principais tratamentos? É possível ficar curado?

Myrna Peres - Imunoterapia5, vacinas que prometem 99% de eficácia em algumas alergias. Algumas vezes a retirada da causa é a "cura". Não existe exatamente uma cura. Temos uma melhora significativa com a utilização de medicamentos e da imunoterapia.
  1. “A Imunoterapia é um tratamento médico em que extratos de alérgenos altamente purificados aos quais seu animal é sensível são injetados em concentrações crescentes no organismo. Os tratamentos por imunoterapia são formulados individualmente para cada paciente baseado nos resultados dos testes para diagnóstico da alergia.” Mais detalhes: http://www.cepav.com.br/br/paginas_internas/alergia/imunoterapia_controle_alergia.html 
Cãopetente – Existem alergias que podem surgir enquanto o animal é filhote e desaparecerem naturalmente depois de adultos?

Myrna Peres - As alergias comumente aparecem após os oito meses. Costumam melhorar com o passar dos anos, mas isso não é uma regra.

Cãopetente – Há algo a ser feito para prevenir alergias?

Myrna Peres - Evitar completamente a exposição a determinados agentes retarda o início dos sinais. 

Cãopetente – A pele do animal pode ficar mais suscetível a doenças quando há um excesso de zelo relacionado aos banhos?

Myrna Peres - A exposição ao agente causador do mal pode mostrar os sinais clínicos precocemente. Os cães já predispostos possuem uma pele mais seca e menos protegida. Produtos inadequados para o indivíduo, água quente, excesso de calor na secagem podem levar a precocidade do aparecimento dos sinais.


E a próxima?

Pode não ser tudo, mas é muito, não é parceiros? Eu tinha muitas dúvidas que foram esclarecidas pela Dra. Myrna. E vocês?

Para quem mora em Vila Velha, se precisarem de uma especialista em dermatologia, segue abaixo o contato da Casa de Bicho, clínica onde atendem a Dra. Myrna, acompanhada de uma bióloga e outra veterinária, a Mônica de Alvarenga Feijó Bianchi. Esta possui especialização em cirurgia, mestrado em animais selvagens e cursa doutorado em Ecologia.

Clínica Veterinária Casa de Bicho. Rua Humberto Serrano, 398 - Praia da Costa. Vila velha/ES. Telefones: 3289-8186 e 9296-0056.

Na próxima, a Dra. Myrna falará sobre rinite e otite.

Até mais ver!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Minhas AUnotações...



Acordei feliz. Aliás, acordo sempre muito feliz. Tenho uma vontade enorme de brincar e um desejo interminável de passear. Quando estou assim, à toa, sem fazer nada, ou me lembro dos meus melhores passeios ou começo a refletir sobre algumas coisas da vida. Isso mesmo. Sou um labrador, mas gosto de pensar sobre questões existenciais. Também aprendo essas palavras diferentes escutando minha ‘dona de estimação’ falando sobre diversos assuntos.


Eu me considero um cão bastante feliz. Tenho casa, família, brinquedos, ração gostosa, petiscos variados, minha dona vive cuidando da minha saúde e limpeza. Às vezes até como alguns legumes e frutas que ela diz que não fazem mal para a minha saúde. De vez em quando ganho carne de frango cozida, mas sem tempero. Mas também eu não sei o gosto que tem esse tal de tempero... Como tudinho e do jeito que vem para mim. Hummmmm.  Lamb, Lamb... Agora prometeu que vai fazer sorvete de melancia. Ela viu isso no Facebook e até postamos a dica na nossa página. Ela adora pegar receitas na internet. Tanto aquelas para os humanos, quanto as que eu posso provar. Só que  já me avisou: “Zeus, açúcar, nem pensar”. Já sei, já sei. A melancia chegou. Uma bola imensa e pesada. Queria brincar com ela, mas estou esperando esse sorvete.


Começo a falar de comida e esqueço do resto. Se eu latir sobre os meus passeios então... au au au, aí nem paro. Antes de ter o Cãopetente, eu não tinha muita informação sobre a tal  ‘vida de cachorro’ pelo mundo afora. Eu pensei que todos vivessem como eu. Sempre vi alguns amigos vagando pelas ruas, mas podia apostar que eram cães mais livres, que tinham a permissão dos seus pais humanos para passearem sozinhos. Até ficava chateado com a minha ‘dona de estimação’ por nunca me deixar sair sozinho. Sabe como é, né? Estou crescido, já tenho quase dois anos, sei que já sou um cão adulto, apesar de ela dizer que não passo de um cachorro adolescente, desobediente e filhotão. Auf, auf. Quero sair, conhecer cadelinhas charmosas, namorar, mas aqui em casa as regras tem que ser respeitadas. Depois que comecei a ver que as coisas não são como eu pensava, entendi a minha dona.


Vejo que muitas pessoas abandonam e maltratam os animais. E isso me deixa muito triste. Mas também estou conhecendo vários cães e gatos que teclam comigo de vez em quando e que tem sorte como eu. E por isso me lembrei do meu amigo Alvin. Desde que os pais dele curtiram minha página no Face, que praticamente todos os dias a gente interage. Au, au... Lembrei-me de quando vi o Alvin pela primeira vez.  Aquela foto que a ‘mãe’ dele me mandou, quando ainda era um filhotinho... Acho que estão no meu álbum de fotos. Vou buscar e espalhar por aqui. 

- Olha essa. Ele filhotinho. Não é que o cãomarada era fofinho? 















- Será que eu contei para o Alvin que também já aprendi esse truque de dar a patinha? Os humanos adoram isso...

 - Olha o cara que metido no skate. au au au.



















- Hum, mas ele não parece que está muito feliz tomando banho... kkkk


 Chega de fotos. Voltando para minhas AUnotações...


Alvin é um amiguinho bem bacana. Mas só aqui nas minhas AUnotações tenho coragem de confessar um segredo. Minha dona achou o Alvin tão lindo que fiquei com ciúme. Fico até envergonhado de quando o chamei para um papo de macho para macho. Na verdade não era para briga, porque não sou disso. Mas queria saber sua real intenção com minha 'mãe humana'. Que bobagem. Cainnnn. Agora é meu amigão. Eu diria que faz parte da família Cãopetente. Au, au, auuuuuuuuu. Batemos um bom papo e ele me contou sobre sua vida. Foi quando comecei a entender melhor como os animais de estimação podem alegrar a rotina dos humanos. E o contrário também, é claro. 


É, meu cãopanheiro Alvin. Não me esqueço quando disse o quanto ficou feliz quando viu seu pai humano pela primeira vez. Parece que estou escutando você latir. “Meu dono olhou pra mim e eu olhei pra ele, mas eu nem sabia caminhar direito. Mesmo assim fui para o seu lado, meio cambaleante. Ah Zeus, quando ele soube que eu estava para adoção disse que era a mim que gostaria de levar para casa depois de 45 dias. Esse tempo era porque eu precisava ficar ao lado da minha mãe canina para amamentar. Você sabe, né? Mas ele também disse que ia ter que consultar a esposa antes. Pois eu era marrom, mesclado de preto, e não da cor que ela queria... Quanta ansiedade”.


A tia Ivonet, a dona do Alvin, ainda sofria com a morte do outro cãozinho que tinha, que era todo pretinho e se chamava Panda por causa de uma mancha branca no peito. O Alvin me contou que antes dele, ela dizia que nunca mais queria ter cachorro, bla bla bla, au au au, como muitos seres humanos dizem. Mas não resistem. Afinal, a verdade é que quem gosta de animais não consegue ficar muito tempo sem eles. Resistiu uns seis meses e quando foi lá com o tio Paulo para conhecer o Alvin, o óbvio aconteceu. Amor à primeira vista. Já tinha até escolhido o seu nome... Os humanos acham que sabem tudo, mas não conhecem nossos métodos infalíveis de conquista. O Alvin já nasceu sabendo. 


Há uma coisa sobre a relação que temos com outros seres que eu não sabia. Quando eu contei para minha ‘dona de estimação’ a história do Alvin e de como ele tinha ido morar na casa da tia Ivonet e do tio Paulo, disse que ele estava indo para substituir o Panda. Daí ela me explicou que não se trata de substituição. E que todos que amamos ocupa um lugar único e especial, que ninguém toma. Ela disse que quando alguém novo chega para fazer parte do nosso dia a dia, é como se fosse mais uma peça para preencher o quebra-cabeça da vida. Cada um ocupa o seu próprio lugar. Quando não há mais espaço para completar é porque já cumprimos nossa missão. E aí, a gente encontra os nossos amigos em outro mundo. Achei bonita essa história. Acredito nela. Constatei que eu já tenho algumas peças no meu quebra-cabeça e algumas eu conheci por causa do meu blog e da minha página do Facebook. Mas os maiores, mais legais, aqueles que representam tudo na minha vida, são os meus 'donos de estimação', que eu amo incondicionalmente. E recebo esse mesmo amor, principalmente da minha dona. Acho que se ela soubesse e pudesse até latiria comigo. au au au. Legal, né? 


Fico aqui me recordando das confidências que o Alvin fez. Mas essas eu não posso contar, pois sei guardar segredos. Comentou um pouquinho sobre a vida dos seus pais humanos e que ele faz de tudo para preencher seus dias com muita alegria e amor. Que feliz é o Alvin! É filho único e muito querido por todos. Sempre latindo feliz, dizendo que seus pais humanos são muito legais; que brincam, passeiam e se divertem com suas travessuras. Farejei logo: ele até se aproveita da situação para fazer mais bagunça do que pode. Au au au. Meu amigo é um ano mais velho que eu, mas acho que se eu sou um filhotão, ele também não fica atrás. 


Nós cães e também os gatos e todos os animais de estimação gostamos tanto dos nossos donos que muitas vezes perdoamos até mesmo quando estão bravos e descontam a raiva em nós. Isso não é legal e eu não entendia muito bem. Mas minha dona também me ensinou que o que possuímos é aquele amor incondicional que falei antes. E que muito ser humano sabe o que significa, mas nunca sentiu. Pelo menos nós dois, eu e o Alvin, somos muito bem recompensados por dar esse amor. Também somos muito amados e respeitados. 


Bem, acho que vou deixar de lado minhas AUnotações e vou ver se o Alvin está on line. Falei tanto nele que bateu saudade e vontade de levar um Pet a Pet. Pôxa Alvin, por que é que você foi morar tão longe, nesse estado com nome de santa? Santa Catarina, não é isso? Queria mesmo era brincar com você e com o seu irmão. Que sorte, hem! Ter um irmão morando na casa em frente à sua! Ah, vou aproveitar e perguntar se ele sabe do paradeiro das suas três irmãs.Quem sabe arranjo mais um motivo, além do Alvin, para pedir a minha dona para visitarmos Joinville?

Olha só, achei mais fotos do Alvin... Gosta de fazer pose, o cachorro... au au au au. Vou ter mesmo que falar com ele, pois quero saber quem é que ele queria conquistar com aquela rosa na boca... au au.




Bacana essa foto com a tia Ivonet e o tio Paulo.